segunda-feira, 25 de junho de 2007

Alcyr Cavalcanti > Desafetos Cordiais

O encontro cordial entre dois desafetos (pelo menos em teoria),
Roberto Marinho e Leonel Brizola.
Véspera de Natal, era quase noite de Natal, eu de plantão no Globo, dia 24/12/1983. Pouquíssimos a trabalhar em regime de plantão. Nada acontecia. 17h, entra no depto fotográfico o repórter Luis Erlanger (atual capo na TV Globo) para irmos com urgência para a sede da emissora, para fazer um registro no gabinete da diretoria. A exigência de traje era paletó e gravata, afinal iríamos ao encontro do “rei da mídia” (e patrão) no Brasil.
Na época Erlanger era um jovem repórter em ascensão, homem de confiança do chefe da redação, Henrique Caban. Ficamos alguns minutos na ante sala, esperando a ordem para entrar. Era um cordial encontro entre Marinho e o governador Leonel Brizola, para costurar algum acordo. Entramos eu e um cinegrafista local. O texto seria fornecido por um dos assessores de Roberto Marinho. Seria um rápido registro do encontro, a imagem convencional dos dois sentados em um sofá.



Depois de uns sete a oito clicks fomos gentilmente convidados a nos retirar. Me fiz de surdo, e continuei registrando o acontecimento, até o término do encontro. Fiquei em canto da sala procurando não ser notado (como se fosse possível).
Depois de um tempo, eles se levantaram e Roberto Marinho acompanhou Brizola até o elevador, sorrisos e afagos foram trocados entre os dois. Registrei tudo, desobedecendo às ordens, sentindo que tinha um importante material em minhas mãos.
Fomos para a redação e dei o filme para ser revelado. Esperei a secagem e cortei alguns negativos para meu arquivo. Olhei o jornal no dia seguinte e nada foi publicado. Nenhuma linha sequer. Provavelmente uma decisão política.
As fotos do encontro foram publicadas anos depois em revistas e jornais, e expostas em várias mostras fotográficas.
Devemos lembrar da difícil eleição e posse de Brizola nas eleições de 82, devido ao Caso Proconsult, no qual estariam envolvidas as Organizações Globo.


Câmera Nikon F3 objetiva Nikkor 35mm, filme Kodak T-X , flash Metz.

Alcyr Cavalcanti > Mestre em Antropologia e Ciências Políticas pela UFF, Alcyr carrega consigo uma experiência de mais de 30 anos como fotojornalista. Já esteve nos jornais: Correio da Manhã, Última Hora, O Fluminense, Diário de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, Tribuna da Imprensa, Diário Lance, O Estado do São Paulo, Folha de São Paulo, Libération (França), nas revistas Isto É, Placar, Romântica, Vogue, L’Officiel, nas agências Associated Press, France Presse, United Press e Gamma (França). Realizou curadoria em diversas exposições fotográficas sobre fotojornalismo no Museu do Telefone, Centro Cultural da Justiça Federal, Sindicato dos Jornalistas do RJ e Sociedade Fluminense de Fotografia. Seus trabalhos já foram exibidos São Paulo, Havana, Tel-Aviv e Rio de Janeiro. Palestrou sobre fotojornalismo no projeto “Sextas-Livres" do Paço da Imagem e compôs o júri de importantes prêmios como: Prêmio Esso, Embratel, Firjan e Sesc, dentre outros. (Fonte: http://www.pacodaimagem.com.br/)

Um comentário:

oo disse...

Nossa, estou surpresa. Sem palavras! Desconhecia tamanha experiência. Parabéns.
Beijos, Jéssica Marrentinha.