segunda-feira, 25 de junho de 2007

Luiz Carlos David > O Papa no Aterro

Trechos do depoimento de Luiz Carlos David, gravado em 20/04/2007, a respeito de sua foto da chegada do Papa João Paulo II ao local da missa no Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, em sua primeira visita ao Brasil, em 05/07/1980.

Transcrição >



- Esta foto tem um dado curioso, porque eu antevi esta foto. Dias antes, eu já tinha a foto na minha cabeça. Porque eu era presidente de Associação dos Repórteres-fotográficos [ARFOC-Rio] e a assessoria de imprensa da Arquidiocese me pediu que fosse lá ver as condições em que os profissionais iam trabalhar, para ver se eu tinha alguma sugestão, se eu acrescentaria alguma coisa, se eu dava o meu OK, imagina, tudo bem, eles foram muito gentis... E eu fui e estava tudo muito bom, o acesso, a locomoção, enfim, muito bom para se trabalhar. E nesse momento eu vi d’aonde eu poderia fazer uma determinada foto. Eu perguntei a ele sobre a luz, ele me disse que à noite haveria um teste de luz para marcar a iluminação de televisão. À noite eu voltei, marquei a luz para fotografia.
Só que, no dia da missa, não me escalaram para fazer a cobertura. Então, eu tive que brigar com o meu chefe... Eu disse: “Não, eu vou. Eu tenho a foto pronta e você não vai me mandar?...” E depois de muita discussão, ele disse: “Então você vai e tem dez minutos. Você vai e traz o filme de todo o pessoal que está lá trabalhando.”
E foi o que eu fiz. Cheguei lá, fui para o lugar que eu tinha escolhido anteriormente, esperei a foto acontecer, fotografei, peguei o material do resto da turma e voltei para o jornal.
- E em quê esse lugar se diferenciava dos outros?
- É porque eu estava no meio do povo. Como se diz, na grade, na fila do gargarejo... Entre onde eu estava e a passarela do Papa tinha um corredor, onde toda a imprensa tinha acesso. Como eu não estava credenciado, eu não tinha acesso a essa parte. E não podia, por conseguinte, chegar mais próximo. Então, fiquei ali. E foi muito bom, porque, que eu me lembre, só eu fiz aquela foto. E no dia seguinte, o jornal deu destaque, deu oito colunas, publicou a foto... (...)



[ O JB publicou uma foto anterior, em que o Papa saúda o povo, mas Luiz Carlos David prefere...]





A segunda foto já é ele mais adiante, na caminhada dele rumo ao altar, e é interessante essa foto também, porque ela marca mais o local onde houve a missa, né?, o Monumento aos Mortos da II Guerra. Só que ele já não está passando por mim. Ele já passou por mim, né?, já está se dirigindo... E eu não acompanhei. Era impossível acompanhá-lo aonde eu estava, que eu estava ali espremido no meio do povo. (...)

Esse material certamente foi vendido para o Brasil, imagino que todo, e possivelmente para o exterior, que a Agência JB, na época, era uma agência muito atuante, tinha uma estrutura de distribuição muito boa. (...)

Eu acho que ele [esse material] continua tendo [importância]. Foi uma situação, um dia festivo não só do ponto de vista da Igreja, envolvendo Catolicismo e tal (...), como também do ponto de vista político. E o fato de ser quem era... O Papa João Paulo II era uma figura de um carisma fantástico, independente de ser... de que religião fosse...

Luiz Carlos David > começou cedo na profissão, graças ao pai, também fotógrafo. Entrou precocemente para o Jornal do Brasil, como estagiário, em 1970, onde esteve por mais de 15 anos. Trabalhou ainda na sucursal da Veja no Rio, na agência F4, na sucursal da Folha de São Paulo e, finalmente, no jornal O Dia, antes de se tornar free-lancer e se aposentar.

Um comentário:

Ricardo Drumond disse...

Bela foto e grande oportunismo.

excelente a história.